CIÊNCIAS HUMANAS


Nome do Projeto: A quem pertence a cidade? Crítica social e imaginação política

Coordenador(a): Priscila Rossinetti Rufinoni

Disciplina(s) Envolvida(s): Filosofia política, Estética, Estágios pedagógicos, Metodologia do ensino de filosofia.

Tipo de Resultado: Metodologia

Ano: 2018


Descrição do Projeto

O projeto promove um ciclo de oficinas em escolas do Distrito Federal, a partir das quais se produzirá vídeos e artigos para refletir sobre inovações metodológicas nas práticas de ensino de Filosofia. 

As oficinas são pensadas caso a caso, adaptadas às realidades variadas das escolas a que se destinam. Para produzi-las, os estudantes e o grupo de docentes envolvido aproximam-se do ambiente escolar por meio da leitura do projeto pedagógico das escolas e contato com direções e coordenações. Em seguida, realizamos encontros de pesquisa e produção das oficinas para pensar os elementos metodológicos envolvidos, a partir das especificidades de cada núcleo (conforme consta no site, já trabalhamos com escolas de Taguatinga e Planaltina, e estamos integrados ao Polo UnB Estrutural, segundo edital do DEX). Trata-se, portanto, não de um método e de sua aplicação, mas de estudos sobre métodos e suas relações com comunidades e realidades diversas.

Apesar dessa flexibilidade de modos de atuação, como estrutura central, as oficinas visam discutir a questão da cidade em seus múltiplos aspectos, que implicam questionamentos sobre família, gênero, administração, educação, ética, justiça, mobilidade e etc. 

A Filosofia evidentemente trabalha com essas questões desde, pelo menos, Platão, utilizando-se de uma forma de imaginação política capaz de colocar uma espécie de lente de aumento sobre os problemas, desnaturalizando-os, à medida que aparecem como passíveis de serem inventariados e repensados de outro modo. Nesse sentido, acionamos também o conceito de Thomas More, “utopia”. As oficinas querem ser um inventário de problemas e um exercício conjunto de imaginação política de outras soluções.


Recursos Desenvolvidos

Metodologia baseada em oficinas.


Utilização do Recurso

Objetivo

As oficinas procuram repensar a equação entre estágios pedagógicos, práticas pedagógicas e teoria, a partir da proposta de discutir os mapas das cidades do DF com os estudantes de ensino médio, atividade mediada pelos estagiários de docência. Em vez de proporcionar uma experiência de estágio na qual a observação e a reprodução de métodos são recorrentes, o projeto visa uma relação realmente experimental entre o futuro docente, o estudante de ensino médio e o ambiente das escolas. A pesquisa, ao se pôr à escuta das expectativas dos adolescentes, funciona em vários níveis: formação docente, pesquisa de métodos de atuação em sala de aula, imersão no ambiente escolar e, finalmente, a análise diagnóstica do imaginário social/filosófico do estudante de ensino médio do DF.

Desenvolvimento da oficina

As oficinas foram baseadas no jogo das cem utopias, trabalhado nas escolas italianas ao longo de mais uma década pelo docente Luca Mori (cf: http://www.giocodelle100utopie.it/ ).

A atividade realizada por Mori consiste em propor que a turma imagine uma viagem até uma ilha deserta, para fundar ali uma comunidade. Ao longo da conversa, guiadas pelas perguntas do educador, as crianças se deparam com problemas da organização da vida social e política ("O que levar para a ilha? Do que precisamos para viver e como obtê-lo? qual é a melhor forma de governo para se viver em paz? O que fazer se chegarem estrangeiros na ilha").

Da conversa, surgem críticas e reflexões sobre a realidade vivida pelos estudantes, assim como debates de natureza teórica sobre temas sociopolíticos, apresentados autonomamente pelos estudantes. O exercício coletivo de imaginação utópica, baseado no modelo da cidade ideal (kallipolis) apresentada por Platão na República e na cidade de Utopia descrita por Thomas More, no livro homônimo, representa, no projeto de Mori, um instrumento para reconstrução do imaginário político e social das crianças na Itália, recentemente documentada numa publicação. (MORI, Luca. Utopie di Bambini - il mondo rifatto dall`infanzia, 2017, atualmente em fase de tradução pelo grupo de pesquisa). 

As nossas oficinas, adaptadas para a realidade do ensino médio do DF, desenvolvem-se em concomitância com uma pesquisa local. Usamos grandes mapas da localidade, que podem ser impressos ou projetados para que os estudantes o redesenhem. A primeira questão é inventariar o que há nos bairros e comunidades, para em seguida pôr esse universo real em perspectiva crítica, até chegarmos à constituição do que poderia ser, imaginando politicamente uma nova comunidade. Os mapas desenhados são submetidos, então, à análise discursiva dos estudantes, propondo um exercício de argumentação. Para cada localidade e escola, entretanto, o grupo de pesquisa reavalia e analisa novamente os métodos. Alguns trabalhos podem ser conhecidos no site e no nosso canal do Youtube .

Para conhecer  método de Luca Mori e a nossa adaptação, indicamos:
Canal no Youtube
- Vídeo no Facebook

Conheça mais sobre o projeto clicando aqui para assistir o vídeo "A quem pertence a cidade? - Planaltina".

Outros resultados do projeto, tais como textos, artigos, relatos de experiência, além de pequenos vídeos, estão disponíveis no site do projeto: A quem pertence a cidade


Resultados na Aprendizagem

Como resultado, o projeto tem permitido que os estudantes produzam materiais diversificados sobre o ensino de filosofia, tais como vídeos, ou mesmo jogos e demais interfaces educativas.